Treinar o cérebro – A importância da Reabilitação Cognitiva

O cérebro humano representa apenas 2% do peso corporal, contudo consome 20% da nossa energia diária. Treinar o cérebro é dispendioso do ponto de vista energético. Desta forma, explorar as potencialidades deste órgão é fulcral, uma vez que é este que define quem somos.

Perante esta perspetiva, o cérebro não pode ser esquecido. Dado que vivemos mais tempo, a probabilidade de virmos a ter uma doença neurodegenerativa é mais elevada, como é o caso da doença de Alzheimer. A incidência de outras doenças do foro neurológico, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), está também a aumentar. Portanto, tratamentos mais adequados a estas doenças estão a emergir e a reabilitação cognitiva é um deles.

Antes de explicar o que é a Reabilitação Cognitiva, é importante perceber o que é a cognição. A palavra cognição vem do latim “cognoscere”, que significa conhecer. Por isso, quando falamos de cognitivo, normalmente estamos a referir-nos a tudo aquilo que está relacionado com o conhecimento, ou seja, com a informação que adquirimos graças à aprendizagem ou à experiência. Quando por algum motivo esta aprendizagem fica condicionada devido a uma lesão neurológica, podem aparecer dificuldades que envolvem a memória, atenção, orientação, comportamento social, resolução de problemas, planeamento e realização de ações futuras. Estas competências afetam a capacidade de uma pessoa cuidar de si, manter compromissos, concluir tarefas ou interagir adequadamente com os outros.

A Reabilitação Cognitiva surge assim nesse sentido. Apresenta-se no formato de um programa de intervenção orientado por objetivos, que visa melhorar as competências cognitivas e as competências funcionais, ou de vida diária (ou seja, usar o telefone, gerir medicamentos e manusear dinheiro, etc.). Este programa é desenvolvido de acordo com as necessidades específicas de cada pessoa e do que lhe é mais significativo. Assim, consiste no treino de competências destinadas a restabelecer ou a melhorar padrões anteriormente aprendidos de comportamento ou a estabelecer novas estratégias de compensação.

Pense em alguém que deixou simplesmente de conseguir ir ao café por se sentir inseguro a realizar trocas com dinheiro. Não conseguir lembrar-se dos seus compromissos, do nome das coisas ou até mesmo perder-se no caminho para casa. Lembre-se, da próxima vez que conhecer alguém nesta situação, a Reabilitação Cognitiva pode ser uma solução…

Vera Margarida Pequito

Terapeuta Ocupacional