• 13 JAN 17
    Será que andamos todos a dormir?

    Será que andamos todos a dormir?

    Passamos cerca de um terço da nossa vida a dormir, período em que várias patologias se podem manifestar. Os distúrbios do sono afetam cerca de 45% da população mundial, sendo considerados uma epidemia. Nas últimas décadas estes distúrbios têm ganho uma grande notoriedade e preocupação por parte dos clínicos, reconhecendo-se o grande impacto que têm na saúde pública, com graves consequências na qualidade de vida e, principalmente, por estarem associados a diversas doenças.  

    Dormir bem é essencial. Durante o período de repouso o nosso organismo realiza funções importantíssimas com consequências imediatas na nossa saúde – fortalecimento do sistema imunitário, libertação hormonal (ex: hormona do crescimento, insulina, entre outros), regeneração das capacidades de memória e concentração e, sem esquecer, o importante relaxamento dos músculos. O nosso desempenho físico e mental está diretamente ligado a uma boa noite de sono.

    As doenças do sono são universais e têm um grande impacto sócio-económico numa cultura em que se valoriza o trabalho e se despreza o dormir bem, fundamental para uma vida equilibrada e saudável. Os distúrbios do sono são individuais e com uma acrescida importância para cada indivíduo. Calcula-se que apenas um terço dos doentes procure ajuda profissional, e considerando que estes quadros são reversíveis com muita frequência, é fundamental ter como prioridade alterar esta realidade.

    No âmbito destes distúrbios destaca-se o Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono – SAOS, caracterizada por ser uma doença crónica e progressiva. O SAOS evidencia-se pela obstrução parcial ou total das vias aéreas, com paragens respiratórias repetidas e temporárias, com uma duração igual ou superior a 10 segundos, durante o período em que a pessoa está a dormir. A respiração é suspensa porque as vias aéreas colapsam, impedindo que o ar chegue até os pulmões. O ronco ou “ressonar” revelam-se como sendo um dos principais sintomas do distúrbio do sono, sendo que para além do incómodo do ponto de vista conjugal e social, pode também ser a fase inicial do SAOS. As consequências deste distúrbio poderão manifestar-se pela manhã, uma vez que o doente não se sente restabelecido, pode acordar com sensação de sufocamento ou ofegante, apresentar sonolência diurna, quer no emprego, quer a conduzir ou até mesmo a realizar atividades comuns do dia-a-dia. Poderá apresentar dor de cabeça matutina, sentir a boca seca ou dor de garganta pela manhã, irritabilidade ou alterações do humor. Em situações mais agudas poderá ocorrer deterioração intelectual, da atenção, memória e raciocínio.

    Para o tratamento dos distúrbios do sono, nomeadamente do SAOS, é necessário a intervenção coordenada de vários profissionais de saúde de especialidades como Otorrinolaringologia, Psiquiatria, Pneumologia, Neurologia, Nutrição, Medicina Dentária, Psicologia, Fisioterapia e Terapia da Fala. Deste modo, cria-se uma inter-relação entre os diferentes profissionais para que a abordagem nos distúrbios do sono seja mais eficaz e ajustada a cada caso.

    Como Terapeuta da Fala, saliento a importância na deteção, prevenção e tratamento dos Distúrbios do Sono como forma de minimizar o impacto preocupante que assume na saúde pública.

    Andreia Martins

    Terapeuta da Fala

    Especializada em Motricidade Oro-facial