Será que a Incontinência Urinária é ainda um tabu?

Será que a Incontinência Urinária é ainda um tabu?

A Incontinência Urinária afeta uma elevada percentagem de homens e mulheres, que enfrentam desafios significativos com forte impacto na sua qualidade de vida, nomeadamente depressão e ansiedade, menor prazer e diminuição da sua prática de atividade sexual. Dentro das principais causas da Incontinência Urinária, encontram-se as alterações do pavimento pélvico e do mecanismo esfincteriano.

O pavimento pélvico é o grupo muscular que sustenta a cavidade inferior do abdómen, responsável por funções vitais, como suporte do conteúdo abdominal, continência urinária e anal e sexualidade. As alterações desta região apresentam sintomas relacionados com problemas urinários, dor pélvica e disfunção intestinal, incluindo a obstipação e incontinência fecal.

No que se refere à Incontinência Urinária, esta é caraterizada por perdas urinárias que se apresentam de forma muito variada, desde fugas ligeiras e ocasionais, a perdas mais graves e regulares. É mais comum nas mulheres e pode aparecer em qualquer período da vida, sendo mais frequente na gravidez, após o parto, durante e após a menopausa e nas desportistas. Existem vários tipos de Incontinência Urinária sendo os mais comuns a Incontinência Urinária de Esforço ou Stress, a Incontinência Urinária de Urgência e a Mista. Na Incontinência de Esforço as perdas de urina acontecem simultaneamente a um esforço físico, como por exemplo, na tosse e/ou no espirro. Na Incontinência de Urgência as perdas de urina são acompanhadas ou imediatamente precedidas pela urgência, ou seja, por súbita e incontrolável vontade de urinar. Por fim, na Incontinência Urinária mista as perdas de urina estão associadas tanto ao esforço físico como à urgência. Várias doenças crónicas, como a diabetes e as doenças neurológicas, bem como alguns medicamentos, podem também afetar a função do sistema urinário e predispor para maior probabilidade de Incontinência Urinária.

Especificamente na população feminina, estima-se que apenas uma em cada quatro mulheres com este tipo de sintomas procura ajuda especializada, possivelmente devido à ideia enraizada de que a incontinência urinária é um problema tabu ou devido à falta de informação sobre os fatores de risco, medidas preventivas e formas de diagnostico e tratamento. Aquando a existência dos sintomas referidos anteriormente, a avaliação e intervenção da fisioterapia é essencial. As estratégias terapêuticas incluem, a reeducação muscular do pavimento pélvico, fortalecimento muscular e modificações no estilo de vida. A taxa de sucesso do tratamento da incontinência urinária, através da fisioterapia, quando corretamente orientado e supervisionado, está descrita em alguns estudos como superior a 75%.

Inês Ribeiro

Fisioterapeuta especializada em uroginecologia.