O que é a disfunção temporo-mandibular?

O que é a disfunção temporo-mandibular?

A disfunção temporomandibular (DTM) é uma patologia multifatorial integrada nas disfunções músculo-esqueléticas e que envolve as articulações temporomandibulares, os dentes e as estruturas anexas (músculos, tecidos de suporte, etc.). É responsável por 10% das consultas de urgência em medicina dentária e resulta em dor orofacial de origem não-dentária. A DTM tem uma prevalência de aproximadamente 10% na população adulta, com maior incidência nas pessoas do género feminino e entre os 35 e 50 anos de idade. A sintomatologia dolorosa relacionada com a disfunção temporomandibular tem uma caraterização variável de pessoa para pessoa. Pode ser confundida com dor dentária ou relacionada a patologia auditiva, devendo ser sempre feito o diagnóstico diferencial por Medicina Dentária e Otorrinolaringologia a fim de despistar problemas nestas estruturas.

A dor pode ser localizada ou ser refletida, ou seja, uma dor na face e boca não tem que ter a sua origem exatamente nessa região. A origem da dor pode estar localizada, por exemplo, numa estrutura muscular na região das têmporas, pescoço ou cervical. O inverso também se pode verificar, ou seja, uma dor sentida na área cervical, pescoço, ombro ou membro superior ter como origem um ponto na região orofacial.
Em termos de caracterização, a dor orofacial da DTM pode ser localizada ou difusa.

Habitualmente é uma dor persistente, que afeta a qualidade de vida da pessoa e pode limitar o normal funcionamento no dia-a-dia.

Entre os sinais e sintomas mais comuns desta patologia podemos encontrar a dor de cabeça, dor na face, dor na articulação da mandíbula,  estalidos ou crepitação na articulação, alteração da mobilidade articular e coordenação de movimentos da mandíbula e bruxismo (ranger ou apertar os dentes).

A DTM tem uma evolução e uma história natural, sendo que habitualmente os sinais e sintomas perduram por mais de seis meses e, quando reduzem, voltam ou podem voltar a repetir-se ciclicamente, quando os fatores de risco não são identificados e controlados. A etiologia da disfunção temporomandibular é multifatorial. Fatores morfológicos, genéticos, relacionados com o género, fisiopatológicos, psicoemocionais, hormonais, trauma, endócrinos, ortopédicos, entre outros, estão relacionados com o risco de desenvolvimento da doença.

Compreende-se, atualmente, que o indivíduo e, consequentemente, esta patologia sofrem influência de fatores físicos, emocionais e do meio ambiente. É o delicado equilíbrio entre estas esferas que determina o bem estar e a qualidade de vida de cada um de nós. A avaliação da disfunção temporomandibular deve ser por isso multifatorial e interdisciplinar.  Como em qualquer outra patologia as opções de tratamento podem ser invasivas e não invasivas. Nas técnicas invasivas podemos encontrar a intervenção cirúrgica, aberta ou fechada, que deve ser sempre muito ponderada e usada somente em caso de insucesso das técnicas menos invasivas. Quanto às técnicas menos invasivas, pode-se referir o recurso às goteiras oclusais, fisioterapia, terapia cognitivo-comportamental, psicoterapia, terapia do sono, terapêutica medicamentosa, acupuntura, osteopatia e terapia da fala.

A primeira abordagem deve passar por estas técnicas que vão ajudar a pessoa com DTM a controlar os sintomas e gerir a patologia de forma a que não interfira na sua qualidade de vida.

A coordenação dos vários profissionais e das suas intervenções é essencial para o tratamento e controlo das patologias da DTM, sendo essencial procurar profissionais treinados e habilitados para o ajudar neste processo.

 

Sofia Gaio
Fisioterapeuta
especializada em Disfunções da Articulação Temporo Mandibular (DTM)
Responsável pela Consulta da DTM

Clínica Fisio S. Brás