Incontinência urinária: Possibilidades de tratamento

Incontinência urinária: Possibilidades de tratamento

A Incontinência Urinária é definida como “qualquer queixa de perda involuntária de urina”. Esta condição apresenta um impacto muito significativo na qualidade de vida dos utentes, afectando o seu bem estar físico, psicológico e social. Pode estar presente em pessoas de qualquer idade. Esta condição afecta maioritariamente mulheres, sendo entre duas a quatro vezes mais comum neste grupo. A prevalência da incontinência nos estudos feitos em todo o mundo ronda os 40%, mas os dados disponíveis para a população portuguesa apontam para uma prevalência que ronda os 5%.

A Incontinência pode ser dividida em três tipos: Esforço, Urgência e Mista. A Incontinência de esforço é a mais comum, afetando 50% das pessoas diagnosticadas. A incontinência de esforço é  a perda involuntária de urina, associada a um esforço ou actividades como espirrar e tossir, quando a pressão abdominal aumenta subitamente, e os músculos que controlam a continência não são capazes de responder de forma eficaz. A incontinência de Urgência é de todos os tipos o menos comum, e caracteriza-se como uma perda involuntária de urina acompanhada ou precedida imediatamente por uma urgência em urinar. Esta está relacionada com a alteração do funcionamento do músculo da bexiga, não sendo esta capaz de armazenar a quantidade de urina habitual e de aguentar até chegar a uma casa de banho. A incontinência Mista é classificada como uma perda de urina relacionada com a urgência de urinar, mas também com os esforços, espirrar e tossir, sendo uma mistura das duas anteriores. Este é o segundo tipo mais comum.

Apesar do impacto demonstrado desta condição ser muito significativo, muitas pessoas continuam a não procurar ajuda devido à vergonha e embaraço, a crenças erradas de que esta condição é própria da idade, desconhecimento do potencial dos tratamentos disponíveis hoje em dia, e medo de que a cirurgia possa ser a única hipótese.

Esta condição apresenta inúmeros factores de risco que parecem predispor para o seu surgimento ou evolução. Alguns fatores como a genética, a idade, problemas respiratórios ou neurológicos, gravidez, o tipo de parto, cirurgias uroginecológicas, não podem ser alterados. Mas existem fatores como a obesidade, a alimentação, o tabagismo, o tipo de esforços realizados e a força dos músculos do períneo que podem ser alterados. A alteração destes contribui possivelmente para a diminuição do risco de desenvolvimento de Incontinência Urinária, bem como para o controle da progressão da condição.   

Sendo a Incontinência um sintoma decorrente de alterações fisiológicas dos músculos do pavimento pélvico, e suas funções, e da bexiga, bem como da presença dos fatores de risco, é reconhecido que esta sintomatologia pode ser tratada, controlada e prevenida. Os tratamentos são vários e podem passar por Fisioterapia para fortalecer os músculos do períneo e alterar comportamentos que possam ser fator de risco para a condição, sendo esta abordagem menos invasiva e mais recomendada numa fase inicial, ou mesmo como uma forma de prevenção desta patologia. Nos casos mais complexos ou numa fase mais avançada existem ainda opções de tratamento medicamentoso e cirúrgico. Os resultados dos tratamentos para a incontinência são muito positivos, havendo uma melhoria da qualidade de vida dos utentes muito expressiva. Informe-se acerca deste problema, coloque as dúvidas ao seu Fisioterapeuta ou Médico assistente para poder obter o tratamento mais adequado.