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A Perturbação do Espectro do Autismo, vulgarmente chamada apenas de Autismo, é uma perturbação do desenvolvimento que afeta em muitos aspetos a forma como a criança compreende o mundo que a rodeia e aprende com as suas experiências. As crianças com Autismo não apresentam o desejo natural de contacto social. A atenção e o reconhecimento dos outros não são igualmente importantes.

Nos últimos vinte anos tem ocorrido um crescimento exponencial de investigações sobre o Autismo, assim como um reconhecimento crescente desta patologia.

Na maioria dos casos, o Autismo é um distúrbio evolutivo do desenvolvimento da função cerebral, com uma origem presumivelmente intra-uterina.

Esta perturbação cerebral pode eventualmente ter origem em inúmeras causas, como factores genéticos, infecções por vírus, complicações pré ou peri-natais ou outras causas ainda não identificadas, que comprometem uma adequada formação cerebral.

Com base nestas constatações é agora aceite que o Autismo resulta de uma perturbação de determinadas áreas do sistema nervoso central, que afetam a linguagem, e desenvolvimento cognitivo e intelectual e a capacidade de estabelecer relações, sendo então a sintomatologia final de uma perturbação cerebral provocada por diferentes tipos de lesões, manifestando-se por diferentes graus e sintomatologia.

Os indivíduos com este tipo de perturbação tendem a apresentar um vasto leque de sinais comportamentais, incluindo a hiperactividade, agressividade e comportamentos de auto-agressão; existe também uma alteração nas respostas a estímulos sensoriais como a hiper ou hipo-sensibilidade a estímulos auditivos, visuais e olfactivos. É frequente existir uma grande instabilidade ao nível do afecto e do humor. Pode também ocorrer uma ausência ou excesso da noção de perigo e medo face a situações perigosas e ameaçadoras.

O trabalho realizado junto de uma população tão específica como esta, conduz a adaptações constantes, na tentativa de criar as condições necessárias para que se consiga construir um vínculo com o individuo e suas famílias, indispensável ao sucesso de qualquer intervenção.

Os técnicos que intervêm junto destas famílias devem convidá-las a refletir sobre as características das suas crianças, apoiando-as na procura de um sentido. Não devem ser feitas acusações ou atribuições de culpa. É fundamental ter presente de que sejam quais forem as disfunções da relação da criança com o meio e independentemente da gravidade da sua situação, as famílias não são a sua causa.

Esta Perturbação não se afigura como uma situação fácil de encarar nem de intervir, mas as     dificuldades devem ser substituídas pela vontade de perceber esta problemática e de perceber a pessoa atrás da problemática, entendendo não só as suas dificuldades e incapacidades mas também as suas capacidades e forças.

Conclui-se, recordando que cada individuo é único e especial dentro da sua individualidade e que, o sucesso depende da partilha e do crescimento comum entre indivíduo, famílias e técnicos, procurando colmatar algumas das complexas características do Autismo, suavizando as perturbações de comunicação e relação existentes.

Catarina Silva Almeida
anacatarinarmsilva@gmail.com
Ordem dos Psicólogos nº 63
Psicóloga Especialista em Educação, Intervenção Precoce e Necessidades Educativas Especiais

Clínica Fisio S. Brás