A sua Voz, o que diz sobre si

A sua Voz, o que diz sobre si

Já que começou a ler este artigo, proponho que me acompanhe num exercício. Pense no decorrer do dia de hoje e analise quantas vezes utilizou a sua voz. Provavelmente para cumprimentar, conversar, pedir e dar informações, atender uma chamada, despachar trabalho, chamar a atenção dos filhos, contar uma piada e comentar as notícias com os amigos. Agora pense: como teria feito tudo isto se a sua voz falhasse?

 

Desenvolvemos a capacidade de produzir voz tão espontânea e naturalmente nos primeiros anos de vida que nem nos apercebemos da sua importância primordial, enquanto identidade e meio vital de comunicação. Estima-se que, actualmente, cerca de 80% dos profissionais dependem da sua habilidade de comunicação para atingir objectivos e resultados no seu trabalho. A voz, sendo o meio mais imediato de comunicação, é uma ferramenta de trabalho para muitos de nós, como, por exemplo, professores, vendedores, advogados, polícias, comerciais, cantores, entre tantos outros. O uso vocal a que estes profissionais estão sujeitos torna-os verdadeiros “atletas da voz”, sujeitos a lesões e desgaste como pode ocorrer quando usamos intensamente qualquer outra função do nosso corpo, sem ter a preparação necessária.

 

É verdade que produzimos voz de forma inata, mas isso não significa que saibamos tirar o melhor partido do nosso instrumento vocal – a laringe. Lembra-se do actual primeiro-ministro, António Costa, perder a voz num dos seus últimos discursos eleitorais? Os profissionais que usam a voz como instrumento de trabalho precisam, como qualquer outro atleta, de preparação para este uso intenso. Além disso, é importante que a voz represente cada profissional de modo adequado face ao seu papel e objectivos de trabalho. Por exemplo, os políticos e profissionais em posições de liderança tendencialmente assumem vozes mais graves. Sabe porquê? Uma voz grave transmite maior autoridade e seriedade, passando a imagem adequada de um líder. Por outro lado, um educador de infância precisa de uma voz mais expressiva, para cativar a atenção das crianças ao contar histórias, cantar e organizar o grupo para as actividades, requerendo maior flexibilidade entre graves e agudos e grande resistência vocal.

 

Os sinais mais frequentes de alterações vocais são: fadiga ao falar, sensação de garganta seca, pigarreio, rouquidão e perda de intensidade vocal. Se estas alterações se mantêm por mais de 15 dias e sem haver presença de gripe ou infecção respiratória, deverá procurar um terapeuta da fala e/ou um médico otorrinolaringologista. Estes profissionais complementam-se a nível de abordagem, proporcionando-lhe um acompanhamento adequado.

 

A 16 de Abril, celebramos o Dia Mundial da Voz. Por ser vital na nossa vida social e profissional, desejamos que cuide da sua Voz para que esta a/o represente sempre da melhor forma. Faça-se ouvir!

Ana Sancho
Terapeuta da Fala
Especializada em Voz
Responsável pela consulta da voz

Clínica Fisio S. Brás